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Degustação de vinho para iniciantes: 7 erros que todo mundo comete

Ninguém começa a degustar vinho sabendo tudo. Eu, que sou literalmente um guia de degustação, também tive que aprender cada um destes. Errar faz parte. O problema é errar sem saber, e passar anos achando que você “não tem paladar” quando, na verdade, só estava enchendo a taça demais.

Os erros de quem está começando a degustar vinho quase nunca são de percepção. São de preparo e de expectativa. A boa notícia: todos têm conserto rápido. Aqui vão os sete mais comuns e o que fazer na próxima taça.

Este artigo faz parte do guia como degustar vinho.

1. Encher a taça até a boca

Taça cheia não deixa girar o vinho sem um acidente na toalha. E, sem girar, os aromas não se soltam.

Como corrigir: até um terço da taça. O espaço vazio no bojo é onde os aromas se concentram.

2. Servir na temperatura errada

O tinto que passou a tarde no carro e o branco que saiu do congelador cometem o mesmo crime por caminhos opostos. Tinto quente demais deixa o álcool gritando. Branco gelado demais esconde os aromas.

Como corrigir: tintos levemente frescos (quinze minutos na geladeira antes de servir resolvem muita coisa num dia quente) e brancos gelados, mas não trincando. Se o branco estiver gelado demais, espere alguns minutos com a taça na mão.

3. Degustar envolto numa nuvem de perfume

Perfume forte, vela aromática, café recém-passado e pasta de dente de menta brigam com o vinho, e o vinho perde.

Como corrigir: um ambiente neutro e um intervalo depois de escovar os dentes. Se você foi numa degustação perfumado, ninguém vai expulsar você, mas o seu nariz vai sentir mais o perfume do que o vinho.

4. Confundir fruta com doçura

Este é o clássico. Um vinho seco, quase sem açúcar, pode ter tanto aroma de fruta madura que o cérebro conclui: “é docinho”. Não é. Fruta é aroma, sentido no nariz. Doçura é açúcar, sentido na ponta da língua.

Como corrigir: tampe o nariz e tome um gole. Sem o olfato, a fruta some e sobra só o que a língua sente. Se ainda parecer doce, é doce. Se a impressão sumiu, era fruta.

5. Confundir tanino com acidez

Os dois mexem com a boca, mas de jeitos opostos. A acidez faz salivar. O tanino seca, como chá preto forte que ficou tempo demais na xícara.

Como corrigir: depois de engolir, repare: a boca encheu de saliva ou ficou áspera nas gengivas? Saliva é acidez. Gengiva áspera é tanino. Muitos tintos têm os dois, e tudo bem marcar os dois.

6. Fingir que sentiu o que a ficha técnica mandou

Você lê “notas de grafite e trufa negra” no verso da garrafa e, de repente, sente grafite e trufa negra. Ou acha que deveria sentir e fica com vergonha de não sentir.

Como corrigir: cheire antes de ler qualquer coisa. Anote o que você sentiu, com as suas palavras. “Fruta vermelha” é uma resposta excelente. Depois, se quiser, compare com a descrição oficial. Às vezes vocês vão concordar. Às vezes não, e isso não é erro.

7. Deixar a Voz do Preço decidir

A Voz do Preço é aquela que mora na sua cabeça e jura que garrafa cara e pesada é sinônimo de vinho bom. Ela é simpática, mas atrapalha: você começa a gostar do vinho antes de provar, ou a desconfiar de um vinho só porque ele custou pouco.

Como corrigir: de vez em quando, prove às cegas. Peça para alguém servir dois vinhos de preços diferentes sem mostrar o rótulo. O seu Paladar, que costuma falar baixinho, finalmente vai ser ouvido.

A pergunta que importa

Repare que nenhum desses erros é “gostar do vinho errado”. Esse erro não existe. Você pode gostar de vinho leve, doce, encorpado, barato, caro ou de tudo um pouco. O que a técnica faz é ajudar você a entender por que gostou, e isso é o que permite acertar de novo.

Da taça para a prateleira

Corrigir esses erros deixa as suas anotações mais confiáveis, e anotação confiável vira compra certeira. Se o teste do nariz tampado mostrar que você adora vinhos com muita fruta, mas secos, é uma pista valiosa: procure tintos frutados de clima quente, como Malbec e Zinfandel (também chamada de Primitivo), em vez de vinhos de sobremesa. Ao fazer suas provas na ficha guiada do Enomentor, essas pistas se acumulam no seu perfil de gosto.

Teste da vez

Faça o teste do nariz tampado na próxima taça. Um gole normal, um gole com o nariz tampado. Repare no que desaparece e no que fica. É o jeito mais rápido de separar o que o nariz sente do que a língua sente, e é estranhamente divertido.

E se alguém perguntar o que você está fazendo com a mão no nariz, diga que é análise sensorial. É verdade.

Perguntas frequentes

Qual o erro mais comum de quem começa a degustar vinho?

Confundir fruta com doçura. Um vinho seco, quase sem açúcar, pode ter tanto aroma de fruta madura que parece doce. A doçura de verdade é sentida na ponta da língua, não no nariz.

Quanto vinho colocar na taça para degustar?

Até um terço da taça. Assim sobra espaço para girar o vinho sem derramar e para os aromas se concentrarem no bojo.

Em que temperatura servir o vinho para degustar?

Espumantes e brancos leves mais gelados, brancos encorpados um pouco menos, e tintos levemente frescos, abaixo da temperatura de um dia quente. Tinto quente demais realça o álcool; branco gelado demais esconde os aromas.

Enomentor

Um mentor de vinho que prefere fazer perguntas a dar respostas prontas. Escreve para ajudar você a reconhecer o próprio gosto e a escolher melhor na prateleira, inspirado no método sistemático de degustação do WSET.

Na prática: Ficha de degustação

Quatro passos, uma dica em cada pergunta e dois modos, para quem está começando e para quem quer ir além.

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