Vinho bom e barato até 100 reais (o 'bom' fica por sua conta)
Onde achar vinho bom e barato, até cerca de 100 reais: estilos, uvas e regiões com boa relação entre preço e prazer, e as pistas que evitam erro.
Você digitou “vinho bom e barato” na busca. Eu também digitaria. Só que tem uma pegadinha nessa frase, e ela não está no “barato”. Está no “bom”.
Porque “bom” para quem? Para o júri do concurso, para o seu cunhado ou para você? Vinho bom e barato é o vinho de que você gosta pagando pouco por ele, e ele aparece com mais frequência longe dos holofotes: em regiões menos famosas, em uvas fora da moda e em estilos sem madeira. Aqui eu mostro onde procurar vinho até cerca de 100 reais, estilo por estilo.
Este artigo faz parte do guia como escolher vinho.
Afinal, o que é um vinho “bom”?
Tem uma parte objetiva: o vinho não pode ter defeito. Cheiro de papelão molhado (defeito de rolha), de maçã passada e sem vida (oxidação) ou de vinagre não é estilo, é problema da garrafa.
Passou disso, “bom” vira “do jeito que eu gosto”. E o preço não tem muito a dizer sobre esse assunto. Uma garrafa cara pode estar pagando a fama da região, o tempo em barrica nova, a raridade, o transporte e o imposto. Tudo legítimo. Nada disso garante que o seu Paladar vai gostar.
Onde procurar vinho até 100 reais?
Os preços mudam de loja para loja e com o câmbio, então trate esta lista como bússola. São caminhos em que é comum achar muito prazer por pouco dinheiro no varejo brasileiro.
Tintos de entrada do Chile e da Argentina. Carménère, Cabernet Sauvignon e Malbec, e na Argentina também a Bonarda. Fruta madura, corpo médio a encorpado. Território do Time Abraço.
Portugal fora dos holofotes. Regiões como Tejo, Lisboa, Península de Setúbal, Dão e Bairrada, e uvas locais como Castelão, Baga, Touriga Nacional, Arinto e Fernão Pires. Vale olhar também os vinhos com a menção “Vinho Regional”.
Espanha, com Garnacha e Tempranillo jovem. Garnacha de regiões como Campo de Borja e Calatayud costuma ser frutada e generosa. Tempranillo com a menção “joven” ou “roble” tem pouca ou nenhuma madeira e muita fruta.
Espumantes da Serra Gaúcha. É uma das especialidades do Brasil. Os brut são secos e frescos, ótimos para o dia a dia e não só para o Réveillon.
Brancos do sul do Brasil. Sauvignon Blanc, Chardonnay sem madeira e Riesling Itálico, da Serra Gaúcha, da Campanha Gaúcha e das regiões de altitude de Santa Catarina.
Vinho Verde. Leve, fresco, de álcool mais baixo e acidez alta, aquela que faz salivar. Bandeira oficial do Time Chupa Limão.
Como achar os achados?
Três truques que funcionam na maioria das prateleiras.
1. Fuja da região famosa e vá para a vizinha. Fama custa caro. Muitas vezes, a região ao lado planta as mesmas uvas, com clima parecido, e cobra bem menos. Um Côtes du Rhône em vez dos nomes mais estrelados do Rhône é um exemplo clássico desse raciocínio.
2. Prefira safra jovem para brancos, rosés e tintos leves. Esses estilos costumam ser feitos para beber cedo. Branco leve esquecido há anos na prateleira, com desconto, é mais risco do que achado.
3. Desconfie da garrafa pesada como argumento. Garrafa pesada prova uma coisa só: que tem bastante vidro. Se o argumento de venda é o vidro, compre um vaso.
E um bônus: vinho sem madeira tende a custar menos, porque barrica de carvalho é cara. Se você gosta de fruta em primeiro plano, ainda sai ganhando duas vezes.
A Voz do Preço perdeu
Quer tirar a prova? Faça uma degustação às cegas.
- Compre um vinho até 100 reais e um mais caro, do mesmo estilo (mesma uva, de preferência).
- Peça para alguém servir os dois em taças iguais, marcadas A e B, sem mostrar as garrafas.
- Responda duas perguntas para cada taça: como é este vinho? e de qual eu gostei mais?
- Só depois revele os rótulos.
Às cegas, muita gente não consegue dizer qual era o vinho caro. A Voz do Preço, aquela que mora na sua cabeça e jura que garrafa cara é sinônimo de vinho bom, costuma passar vergonha nessa hora. E se o caro ganhar, tudo bem também: agora você sabe que, naquele estilo, vale pagar mais.
A pergunta que importa
O vinho barato que você amou não precisa de autorização de ninguém. Nem o caro que você achou sem graça precisa de desculpa. Gosto não tem faixa de preço.
O que vale é responder com honestidade: eu gostei? Se a resposta foi sim, anote. Esse é o seu vinho bom e barato, e nenhuma lista na internet vai saber disso antes de você.
Da taça para a prateleira
Quando o barato agradar, guarde o estilo, não só o rótulo: a uva, a região, o teor alcoólico e se tinha madeira. É isso que vai achar o próximo em qualquer loja.
O perfil de gosto do Enomentor mostra a faixa de preço dos seus favoritos e aponta os achados que agradaram mais do que vinhos mais caros. Daí, a Da taça para a prateleira traduz esse estilo em uvas e pistas no rótulo.
Teste da vez
Escolha um caminho da lista que você nunca provou, compre uma garrafa até 100 reais e preencha uma ficha de degustação simples. Se gostar, repita o estilo com outro produtor. Se não gostar, risque da lista e tente o próximo.
O Paladar não lê etiqueta de preço. Talvez seja por isso que ele é tão bom em achar vinho barato.
Dúvidas
Perguntas frequentes
Existe vinho bom e barato?
Existe. Sem defeito técnico, um vinho é bom para você quando você gosta dele, e isso não depende do preço. Estilos e regiões menos famosos, uvas fora da moda e vinhos sem madeira costumam oferecer muito prazer por pouco dinheiro.
Onde procurar vinho até 100 reais?
Bons caminhos são os tintos de entrada do Chile e da Argentina, as regiões menos famosas de Portugal e suas uvas locais, Garnacha e Tempranillo jovem da Espanha, espumantes da Serra Gaúcha, brancos do sul do Brasil e Vinho Verde. Os preços variam por loja, então use como bússola.
Garrafa pesada indica vinho melhor?
Não. O peso do vidro é escolha de embalagem e marketing. Ele não diz nada sobre o estilo do vinho nem sobre se você vai gostar dele.
Como saber se um vinho barato vale a pena?
Prove às cegas contra um vinho mais caro do mesmo estilo e responda duas perguntas: como é cada vinho e de qual você gostou mais. Se o barato ganhar, você achou um vinho para repetir.
Quem escreveu
Um mentor de vinho que prefere fazer perguntas a dar respostas prontas. Escreve para ajudar você a reconhecer o próprio gosto e a escolher melhor na prateleira, inspirado no método sistemático de degustação do WSET.
Na prática · Da taça para a prateleira
Leve isso para a próxima taça
Seus favoritos viram pistas de compra, com as uvas para procurar e o que olhar no rótulo. O Enomentor é gratuito e funciona no celular e no computador.
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